talvez quisesse morrer, talvez esquecer... talvez foder - lembrou-se do abrunhosa e conseguiu esboçar um esgar! já tirou a fotografia da praxe, respirou umas quantas vezes, em esforço, quase a vomitar, só se queria sentar...olhou à volta e fixou o mundo visto de onde só uns quantos estúpidos o conseguiam. estava feliz como nunca, sabia que já dali não saía! chegou demasiado tarde ao cume, apesar dos avisos, do bom senso e de toda a sua experiência, teimou, forçou, esgotou tudo o que tinha para dar. sabia que depois tinha de descer até ao último acampamento, sabia que não podia deixar cair a noite, sabia que não podia desistir... o que eles não sabiam é que da última vez já ele tinha jurado que se alguma vez mais lá fosse acima era para não voltar. estava tudo planeado, lá em baixo era um bom amigo, ali em cima um herói, lá em baixo era um pai ausente, cheio de dívidas e já odiado pela mulher, funcionária de um banco qualquer. lá em cima era o desejo de todos, a imagem, o estandarte de um banco maior! despiu-se num esforço gigantesco, levantou a bandeira do patrocionador, sorriu - já nem conseguiu o grito de glória que tinha planeado, a última acção que teve como resposta do corpo já em necrose avançada foi um peido com molho que lhe deixou as pernas de famoso alpinista todas borradas. o peido do herói! como os seus filhos íam ficar orgulhosos...


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